30 novembro 2006





A tua visão tornar-se-á clara somente quando olhares para dentro do teu coração.


Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.


- Carl Jung

22 novembro 2006



VITÓRIA



Não andaste de Ferrari, Porsche ou Lamborghini,
Não frequentaste os melhores colégios
Ninguém te viu em cocktails, recepções ou inaugurações
Em discursos balofos, promessas vãs ou teatrais
Aos bailes não compareceste
Nos colóquios ninguém te viu
Nos congressos não puseste os pés
De seminários nem ouviste falar
De workshops nem uma ideia fazias do que fosse…

Vieste até nós com um manto de humildade
Mas até os reis do mundo Te receberam
Cresceste pobre, despojado, sem mordomias
Contudo já em tenra idade discutias com os sábios
Usaste parábolas, ilustrações,
Falaste a linguagem dos que te ouviam
Fizeste milagres, curas, maravilhas
Perdoaste pecados

Como qualquer um de nós
Tiveste sede,
Tiveste fome
Sentiste frio, calor, desconforto
Por vezes amado, adorado e louvado
Mas tantas outras humilhado e desprezado,
Sofreste a tentação e o opróbio

Mas, então, em que eras Tu verdadeiramente diferente?

Sendo homem, Tu o criaras
Sendo fraco Tu lhe davas força
Sendo igual a nós Tu fazias a diferença

E que esperávamos pois de Ti?
Que sendo Um com o Pai
Nos mostrasses a eternidade
Que na Tua superioridade fosses diferente
Que, de alguma forma, vencesses o que todos nós
Gostaríamos de vencer.



A Ti próprio te entregaste
Permitindo que Te matassem
Deixando-nos aparentemente órfãos
Sem entender o que acontecia
Sem perceber onde residia a Tua força…
Nem o porquê de ser essa a Vontade do Pai

Não compreendíamos que só assim
Podíamos ter acesso a Ele
Que só em Teu sacrifício
Era possível a nossa redenção


Mas três dias chegaram
Para provares o Teu ponto
Já tínhamos assistido
Ao que fizeras com Lázaro
Já sabíamos que tinhas poder
Mas quando Te vimos Vivo
Soubemos então
Que a nossa fé não era em vão
Que não seguimos um Deus morto
Que na nossa fraqueza e insignificância
Tínhamos alcançado Contigo
Na supremacia da Tua grandeza
A certeza da Vida Eterna
A vitória sobre a morte!

Porque só em Ti há vida
Só Contigo… ressuscitamos!










Abel Varandas
2006.04.14

21 novembro 2006

QUE VIDA ?

100% contra ! 200% a favor !

A questão está relançada na opinião pública e na agenda política. O julgamento da Maia veio reavivar as memórias, trazer de novo a debate a questão da despenalização da interrupção "voluntária” da gravidez.
Quero deixar, desde já, clara a minha posição : sou indefectivelmente contra o aborto, sou irredutivelmente favorável à despenalização das mulheres que se vêem forçadas à sua prática !
Muito embora possa parecer paradoxal a minha posição espero conseguir explicar o que me leva a assim pensar e porque se tem vindo a cometer, a meu ver, uma grande confusão nesta matéria.
Sou, até pela minha formação e opção cristã de pensamento e vida, adepto do direito à vida, considerando, como tal, que sendo o direito humano mais valioso deve ser preservado a todo o custo e acredito que um procedimento abortivo é um crime por pôr em causa esse direito supremo. Salvo aqueles que não consideram um embrião uma vida humana a todos choca a decisão de retirar a possibilidade de nascer a uma vida embrionária, o decidir por quem não tem quaisquer possibilidades de se manifestar e de se auto-defender. Mas a questão não é essa. E é aqui que se pode questionar a voluntariedade da interrupção da gravidez por parte daquelas mulheres que não vêm outra saída que não a fuga para a frente perante a degradação das suas condições de vida ou, até, quantas vezes, a falta de coragem de prosseguir uma gravidez que não desejaram ou não vislumbram poder vingar. Qual a mulher que perante uma gravidez desejada, que tem uma situação socio-profissional e familiar para poder dar condições de vida dignas ao seu filho, opta por abortar ? Pergunto-me até se haverá alguém bem formado que seja a favor do aborto como solução seja para o que for ? O aborto é um flagelo, um último recurso num país onde nem sequer há uma verdadeira educação sexual profilática a nível, nomeadamente do planeamento familiar. Então, temos que desviar o enfoque para as opções que, as mais das vezes, de voluntário pouco têm e quando o têm são fortemente condicionas por diversas ordens de razões.
Na mesma altura em que se olham os toxicodependentes já não como criminosos mas como doentes que carecem da ajuda do todo social e que, consequentemente, deverão ser despenalizados e ao mesmo tempo que se defende que a luta se deve canalizar contra o tráfico e todos os seus agentes, continuam a encarar-se as mulheres que abortam como criminosas merecedoras de punição. Ora, com aquela posição não me parece que se esteja a defender o consumo de drogas mas, tão somente a considerar os consumidores como suas vítimas. E, é neste paralelismo, que deveremos encontrar a via que nos conduz à conclusão que a luta deve e tem que ser dirigida ao tráfico abortivo e não às suas “vítimas”. Não querendo com isto dizer que se defende a prática do aborto ou aquelas que o praticam mas, simplesmente, não as condenando penalmente por terem chegado ao ponto de se verem “forçadas” a por ele optar. Como em todos os flagelos sociais, há sempre energúmenos que se aproveitam da desgraça alheia e penso que neste sentido o julgamento da Maia foi exemplar. Lutemos contra todos os traficantes com todas as nossas forças !
Desconfio grandemente duma sociedade em que os bons cidadãos são apenas aqueles que cumprem a lei à risca. Quem cumpre a lei é boa pessoa quem a infringe não presta! Estes axiomas relançados pelo neo-liberalismo cheiram-me a podre e a balofo e são (como se diz no Norte) “bacocos”. E quando a lei é injusta ?
E há outra questão: mesmo quando sou um cidadão que pauto o meu comportamento pelo cumprimento da lei, que mérito pessoal terei eu em optar por uma determinada conduta quando a conduta oposta me é proibida ? Onde fica a liberdade de escolha ?
Começei por dizer que sou convictamente cristão e pauto o meu comportamento, acima de tudo, pela Palavra de Deus que é a minha regra de fé e prática. E é lá que encontro a norma básica da lei do amor que procuro seguir : “Todas as coisas me são lícitas mas nem todas convêm.” (1). Só posso ser louvado pelas minhas opções comportamentais quando posso exercer o livre arbítrio. É então que poderei afirmar-me como cristão e fazer ou deixar de fazer aquilo que a minha consciência me ditar. É evidente que esta posição poderá conduzir a extremos perigosos e não defendo com isto a descriminalização generalizada. Isso seria um absurdo jurídico e impraticável num Estado-de-Direito. E nem sequer o acho minimamente desejável. Mas existem áreas em que temos que parar para pensar e introspectivamente analisarmos se estamos a defender aquilo que é o mais justo ainda que, eventualmente, menos legal.

Sem querer parecer demasiado “religioso” permitam-me referir um episódio bíblico que considero paradigmático do que deve ser, na minha óptica, a posição do cristão e, consequentemente, de uma sociedade imbuída de valores cristãos, face a este tipo de questões :

A lei hebraica previa : “ Se um homem comete adultério com a mulher de outro, tanto ele como ela devem ser condenados à morte” (2)
A gravidade do crime era perceptível pela dureza da pena (morte por apedrejamento popular).

Certo dia, as autoridades judiciais e religiosas de então com o intuito de testar a fiabilidade dos ensinamentos de Jesus e o seu conhecimento da lei mosaica trouxeram à sua presença uma mulher apanhada em flagrante delito de adultério perguntando-lhe o que fazer perante a prescrição legal em vigor. Jesus calmamente desenhava com o dedo no chão e lançou o repto: “ Aquele de vocês que nunca pecou atire-lhe a primeira pedra.” É então que paulatinamente se dá a debandada geral. Então, Jesus interpela a mulher : “ Onde estão eles? Ninguém te condenou ?” “Ninguém, Senhor!” – respondeu ela. “ E eis a resposta sábia e revolucionária de Jesus : “ Também eu te não condeno. Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar “ (3)
Para os “ doutores da lei e fariseus” de hoje a solução “herética” de Jesus leva-lo-ia, muito provavelmente e tal como então, à “crucificação” pública. Mas certamente que ninguém de bom senso reclamará que Jesus, com a sua atitude estava a aprovar o que a lei condenava, ou seja, é impensável defender que Jesus tornou lícito o adultério até porque a sua ordem “ não tornes a pecar” sugere o óbvio. Mas então como entender a sua afirmação: “ Também eu te não condeno.” ?
Jesus não liberalizou o adultério mas despenalizou quem o praticou !

Mais que as considerações, já de si importantes, da necessidade de modernização e conformação da nossa legislação com a quase totalidade dos edifícios legais dos restantes países comunitários, importa ter uma atitude de bom-senso e equidade perante matéria tão sensível quanto esta. Mas, não façamos como a avestruz nem pretendamos limpar as nossas mãos da responsabilidade que a todos nós cabe na solução destas situações. Contribuamos, de vez, para uma sociedade mais justa e, acima de tudo, não usemos de hipocrisia invocando valores que de tudo têm menos de cristandade ou cristianismo.

Entretanto, e face à lei que tão bem defendem , aguardamos que aqueles ( alguns com fortes responsabilidades públicas! ) que tanto pugnam pela manutenção da penalização das mulheres que cometeram aborto denunciem às autoridades as suas familiares que um dia a ele recorreram, sob pena de, como bem sabem na sua qualidade de cumpridores indefectíveis da legalidade, incorrerem no crime de cumplicidade ou serem culpados de encobrimento de crime alheio...



(1) Bíblia Sagrada – I Coríntios 6:12 – Tradução de João Ferreira de Almeida, Edições Vida Nova, 1ª Edição, 1998
(2) Idem – Levítico 20:10 – Tradução Interconfessional do hebraico, do aramaico e do grego em português corrente, Edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1994
(3) Ibidem – Evangelho de S. João 8: 3-11 – Idem




Abel Varandas
Fev.2002



in STECNICO nº 9

14 novembro 2006

Amor


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor,
nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência,
não busca os seus interesses,
não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha (...)


in BÍBLIA SAGRADA

ABRIL


ACREDITAMOS!


Naquela manhã tudo se tornou diferente!
Uma manhã de Primavera que trazia consigo um calor mais quente.
O sol estendia a sua alegria por toda a planície e a vida parecia ter ganho outro sabor.
A esperança mudara de cor e o tom de sangue nos cravos cheirava a vida.
O sorriso das crianças contagiava-nos e fazia-nos acreditar que respirar era algo mais que sobreviver.
Sentímo-nos como pássaros e apeteceu-nos voar.
Abrimos as asas e o espaço ofereceu-se-nos.
Voámos como o sonho.
O sonho que fugiu da imaginação e passou a percorrer os nossos dias.
O mundo, qual poema, pulou e avançou.
Nas baionetas plantámos flores.
Do alto das fortalezas gritámos desejos.
À beira-mar inventámos o amor.
Nos olhos dos nossos filhos semeámos o futuro.
A utopia aproximou-se um pouco de nós e quisemos acreditar.
E acreditámos.
Subitamente as mordaças tinham caído.
As grilhetas haviam rebentado.
O pensamento acompanhou-nos no exultar colectivo de uma festa renovada. Num mar de águas cristalinas, como um navio sem amarras.
Emergindo dessas águas soltos e lavados da mágoa e da opressão.

Hoje é 25 de Abril.
Amanhã também.
E depois ... e depois... e depois ...
Amanhã será também 1º de MAIO.
E depois ?
Queremos acreditar.
ACREDITAMOS!

VIVA A LIBERDADE !




Abel Varandas

in STECNICO nº10, Abril 2002

10 novembro 2006

Liberdade


Jesus não é um "profeta" que oferece "muito pão e muito poder". Há valores para os seres humanos que transcendem o mero pão quotidiano: a Justiça, o Amor, a Paz, a Liberdade...
E esta não pode traduzir-se somente em fazer o que se entende ou dizer o que se quer, mas na realização plena do ser humano, no encontro com a razão da sua origem e existência, que ultrapassa a acção diária de trabalhar para comer.
Pelo conhecimento de Cristo somos livres, pela morte de Cristo somos libertados. Libertados da falta de paz interior, do medo, do egoísmo, que não permite sermos justos para com o semelhante; da falta de amor, que não permite considerar o outro igual a nós nos seus direitos e necessidades.
A Fé Cristã, libertadora, não é um conformismo, porque não depende de uma instituição, mas de uma confissão, e esta é criadora e realizadora. Em qualquer situação ou instituição o Cristão tempera, dá o gosto. A Fé Criadora do Cristão não permite conformação nem fatalismo, e na luta contra o fatalismo se alcança a LIBERDADE!
A liberdade é, em primeiro grau, interior. Provém do conhecimento da Verdade. " Eu sou a Verdade " disse Jesus. O cristão conhece a liberdade que resulta do conhecimento de que é uma pessoa e não uma coisa. Não resulta do nascimento, da Igreja, da posição social ou da opção política, mas do sentir-se conscientemente feliz, porque o Espírito o ilumina e liberta, porque conhece Deus, porque anda conforme Cristo. Onde está o Espírito de Deus, aí há
LIBERDADE!

PORQUE NÃO SOU POETA




Quereria descrever em palavras inspiradas
A beleza do mar, das árvores, das flores,
O rugido do leão ou o balido do cordeiro
Escrever poemas, versos, elegias
Ao branco das nuvens, ao multicolorido das aves


Mas não sou capaz
Porque não sou poeta, nem sequer escritor

Saber cantar em melódica exposição
A imponência das montanhas, dos vales, das planícies
E a plenitude azulada do firmamento
Romancear o sorriso inocente de uma criança
Ou o olhar sábio de um ancião

Mas não sou capaz
Porque não sou poeta, nem sequer escritor

Verbalizar empolgadamente a magia
Dos peixes vogando nas profundezas
De um oceano imenso
Do chilrear dos pássaros, do seu planar
De um nascer ou por-do-sol no horizonte

Mas não sou capaz
Porque não sou poeta, nem sequer escritor

Num momento de sublime inspiração
Mesmo sem musas ou tágides
Poder exaltar a magnificência da Criação
Que alguns por se julgarem poetas, ou talvez escritores
Afirmam ser obra de um qualquer inenarrável acaso

Mas também não sou capaz
Porque não sou poeta, nem sequer escritor

Mas há algo que sei que sou capaz
Como glória da Tua Criação
À tua imagem e semelhança concebido
Sem metáforas nem alegorias
Sem lírica, epopeia ou narrativa

Mesmo sem ser poeta, nem sequer escritor

Dizer-Te apenas com o coração aberto
Agora e para sempre:
OBRIGADO, SENHOR!


Abel Varandas
Dez. 2005

Este é um forum para debate de convicções. O autor é, sobretudo, um indivíduo de convicções.
Cristão CONVICTO, sindicalista POR CONVICÇÃO, sportinguista ( com esperança...!), crente em causas e intransigente na defesa dos seus princípios: honestidade, verdade, sinceridade, lealdade, honradez, verticalidade, integridade!

Uma forma de estar na vida e saber e sentir que só vale a pena viver se a vida for um meio para ser útil e servir o semelhante. O narcisismo, o hedonismo, o niilismo, a hipocrisia, a falsidade, o desrespeito, o racismo, o chauvinismo ou quaisquer outras fobias, fundamentalismos ou aberrações comportamentais equivalentes não têm lugar aqui!


Vamos a isto!

Abel Varandas

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Jehovah Jireh

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