27 novembro 2008

Aliança Evangélica Mundial termina com grandes declarações e compromisso para a evangelização mundial



Mais de 500 altos dirigentes evangélicos reuniram-se para a assembleia em Pattaya, na Tailândia, de 25 a 30 de Outubro de 2008. Na Quarta-feira, os delegados acordaram seis grandes resoluções definindo uma resposta evangélica para a liberdade religiosa, VIH e Sida, pobreza, restabelecimento da paz, meio ambiente e a crise financeira mundial. "O Corpo de Cristo, a Sua Igreja, está a viver com o VIH", afirma a resolução sobre o VIH, uma área de grande foco para a WEA. "Com contrição admitimos que enquanto Cristãos evangélicos temos permitido que a estigmatização e a discriminação caracterizassem o nosso relacionamento com as pessoas que vivem com VIH. Nós arrependemo-nos destas atitudes pecaminosas e esforçar-nos-e-mos por garantir que elas serão alteradas. " No preâmbulo da resolução sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, os líderes evangélicos declararam, "Na luta com a crise financeira de 2008, os governos e as instituições internacionais têm mostrado quão rápido e eficazmente podem agir para mobilizar recursos em grande escala em face de ameaças graves para o nosso bem-estar comum económico e global. "No entanto uma criança a morrer de causas evitáveis, de três em três segundos, e 2,7 mil milhões de pessoas que mal se conseguem sustentar com uma renda de menos de dois dólares por dia ainda não suscitou um nível semelhante de resposta urgente. "Cremos que isto é uma afronta a Deus, uma vergonha para os governos e para a sociedade civil, e um enorme desafio para o testemunho e missão dos discípulos de Cristo.”


O director internacional da WEA Dr. Geoff Tunnicliffe declarou aos delegados que eles enfrentaram desafios adicionais para cumprir a Grande Comissão do secularismo radical, do pós-modernismo, do declínio do Cristianismo, e ao mesmo tempo do crescente interesse na espiritualidade, no tráfico e na migração. Ele insistiu, no entanto, que os grandes desafios também tinham trazido grandes oportunidades para o engajamento evangélico. "Vemos este enorme crescimento e esta mudança sísmica na igreja ao redor do mundo e estamos empolgados com o que Deus está a fazer edificando homens e mulheres ao redor do mundo, em tantos lugares diferentes,” disse ele. "Enquanto pensamos sobre a realidade global do mundo em que vivemos, [há] imensos desafios, mas também imensas oportunidades." O Dr. Tunnicliffe disse ainda que a WEA iria continuar empenhada na missão integral "ou transformação holística, uma proclamação e demonstração do Evangelho". "Não se trata simplesmente do evangelismo e envolvimento social serem feitos lado a lado, mas sim numa proclamação da missão integral que tem consequências sociais. Chamamos as pessoas ao amor e ao arrependimento em todas as áreas da vida", disse ele. Ele reafirmou o compromisso da WEA para com a evangelização mundial.


"Se alguém vos disser que nos tornámos moles na evangelização mundial vocês podem dizer a eles que estamos totalmente empenhados na evangelização mundial porque só Jesus Cristo é que muda a vida das pessoas,” disse ele.


Um dos pontos altos da semana foi um discurso do Rev. Joel Edwards, que foi nomeado como novo director do movimento Cristão anti-pobreza Desafio Miqueias durante a assembleia. No seu discurso, o ex-chefe da Aliança Evangélica do Reino Unido disse aos delegados que o poder para reabilitar a palavra "evangélico" estava nas suas mãos. "O que quer que as pessoas pensem acerca dos Cristãos evangélicos, para as pessoas passarem a pensar de forma diferente, as únicas pessoas que realmente podem mudar as suas ideias são os evangélicos,” disse ele. "Temos de reinventar, reabilitar e reabitar o que significa ser evangélico como uma boa nova. Temos de apresentar Cristo de forma credível à nossa cultura e devemos procurar ser cidadãos activos que trabalham para uma mudança espiritual e social a longo prazo. "As palavras podem mudar de significado. Se 420 milhões de evangélicos em mais de 130 nações de todo o mundo realmente quiserem que isso aconteça, ser evangélico poderia significar a boa nova." Noutro importante discurso, o director da Comunhão Evangélica da Índia, o Rev. Richard Howell disse que uma identidade ancorada em Cristo e num Deus universal era uma coisa evangélica não-negociável numa época de pluralismo. "Não temos senão uma ordem do dia: a obediência ao Deus Triúno revelado em Jesus Cristo", disse o Dr. Howell. "Somos Cristãos Evangélicos graças ao amor de Deus."


"A nossa identidade tem de ser relacionada de volta a Deus. Se não fizermos isso, nunca iremos saber quem somos. A nossa identidade vem de Deus e só de Deus. "
"A crença Cristã na unicidade de Deus implica a universalidade de Deus, e a universalidade implica transcendência em relação a qualquer cultura.
"Os Cristãos não podem ser nunca, em primeiro lugar, Asiáticos, Africanos, Europeus, Americanos, Australianos e, só depois, Cristãos."
A assembleia também teve a oportunidade de escutar o presidente do Comité de Lausanne para a Evangelização Mundial (LCWE, sigla em Inglês), Douglas Birdsall. A Aliança Evangélica Mundial está a colaborar com o LCWE no seu grande encontro Cidade do Cabo 2010, que reunirá 4,000 evangélicos para avaliar os próximos passos na compreensão da visão do movimento de "toda a igreja levando o evangelho inteiro a todo o mundo". "Você poderia perguntar se existe uma necessidade de um congresso internacional que trata da evangelização mundial", disse Birdsall à assembleia. "Eu diria que, ao longo da história, um encontro destes é apenas necessário quando o futuro da vida da Igreja está ameaçado por algum tipo de desafio – quer desafio interno ou pressão externa." A assembleia também assistiu ao lançamento do Instituto de Liderança da WEA, uma iniciativa totalmente nova que pretende ver os líderes das 128 alianças nacionais da WEA treinados para servir e anunciar Cristo em alguns contextos desafiadores. "Dirigir uma Aliança Evangélica não é fácil", comentou o Dr. Tunnicliffe. "É por isso que lhes queremos proporcionar uma formação e recursos adequados." O novo líder da Comissão de Liberdade Religiosa da WEA, Yogarajah Godfrey, natural do Sri Lanka, também foi nomeado durante a semana. O Dr. Tunnicliffe reuniu a assembleia apelando aos evangélicos para se manterem em harmonia com o trabalho de Deus na terra. "A minha oração é que nós, na nossa comunidade sejamos mulheres e homens que vivem com propósito divino nas nossas vidas, que sejamos bons líderes providos de visão por parte de Deus para fazer a diferença no mundo,” disse ele. "A coisa mais importante que você pode fazer com a sua [vida] é integrá-la na história interminável do Reino de Deus. Deus já está a trabalhar no mundo. Ele está a fazer coisas. Nós só precisamos de nos alinhar com o que Ele está a fazer."

18 novembro 2008

Que é um Evangélico?





Os rótulos geralmente são confusos, especialmente quando o conteúdo da embalagem muda. Suco de uva pode virar vinagre com o passar dos anos na adega, porém o rótulo não muda junto com as mudanças na substância. O mesmo vale para o termo evangélico".
Desde o "Ano do Evangélico", correspondente ao bicentenário de nossa nação (no caso os EUA) em 1976, o termo - pelo menos na América do Norte - veio a identificar aqueles que salientam um determinada marca da política, uma abordagem moralista e freqüentemente legalista da vida, e certo tipo de imitação, "cafona" de estilo de evangelismo. Para alguns o termo compreende o emocionalismo que eles vêem na televisão religiosa. Para outros, hipocrisia e justiça própria. E aí há as memórias que muitos de nós, que fomos criados como evangélicos, temos: ambientes familiares fortes e cuidadosos; um senso de pertencer a um mesmo lugar, com os amigos que gostam de conversar das "coisas do Senhor".
Independente do seu passado, é importante entender o significado do termo "evangélico".
As pessoas só começaram a usar o rótulo no século XVI, designando aqueles que abraçaram o Evangelho que havia - num sentido bem real - sido recuperado pela Reforma Protestante naquele século. "Evangélico" vem de "evangel", que é o termo grego para "evangelho". Deste modo, os "evangélicos" eram luteranos e calvinistas que queriam recuperar o evangel e proclamá-lo dos altos dos telhados. Era uma designação empregada para colocar os Protestantes num agudo contraste com os Católicos Romanos e "seitas". Mas para entender por que estes Protestantes pensavam que eram realmente aqueles que recuperaram o verdadeiro e bíblico Evangelho, temos que entender o que era aquele evangelho.

O "Evangel"
A Reforma era uma coleção de "solas" - esta é a palavra latina para "somente". Eles vibravam ao dizer "Sola Scriptura!", significando, "Somente as Escrituras". A Bíblia era a "única regra para fé e prática" (Westminster) para os reformadores. Você vê que a igreja acreditava que a Bíblia era totalmente inspirada e infalível, mas a igreja era o único intérprete infalível da Bíblia. Os Reformadores acreditavam que a Tradição era importante e que os Cristãos não a deveriam interpretar por eles mesmos, mas que todos os cristãos sejam clérigos ou leigos, deveriam chegar a um comum entendimento e interpretação das Escrituras juntos. A Bíblia não deveria ser exclusivamente deixada aos "espertos", mas isso nunca significou para os Reformadores que cada cristão deveria presumir que ele ou ela pudessem chegar a interpretações da Bíblia sem a orientação e assistência da Igreja.
O principal ponto de "Sola Scriptura" então, era este: Não deveria ser permitido à Igreja fazer regras ou doutrinas fora das Escrituras. Não existem novas revelações, nem papas que ouvem diretamente a voz de Deus, e nada que a Bíblia não apresente deveria ser ordenado aos cristãos.
O segundo "sola" era "Solo Christus", "Somente Cristo". Isto não queria dizer que os Reformadores não criam na Trindade - pois o Pai e o Espírito Santo eram igualmente divinos, mas que Cristo, sendo o "Deus-Homem" e nosso único Mediador, é o "Homem de frente" para a Trindade. "Aquele que me vê a Mim, vê ao Pai que me enviou", disse Jesus. Num tempo em que meros seres humanos estão tomando o lugar de Cristo como Mediador entre Deus e cristãos, os reformadores proclamaram juntamente com Paulo: "Há somente um Deus e um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Tim. 2: 5). Eu cresci em igrejas onde tínhamos "apelos ao altar" e esta pode ser a coisa mais próxima que nós cristãos modernos temos do "chamado ao altar" medieval, a missa. Em nossas igrejas, o pastor atuaria como mediador, vendo nossa mão levantada "enquanto cada cabeça está baixa e cada olho fechado", e nós iríamos para a frente onde ele estava, o chamado "altar" e repetiríamos uma oração após ele. Então ele afirmaria que, tendo "feito a oração", nós agora estaríamos salvos. Eu me lembro de ter sido "salvo" novamente, e novamente. Quando me senti culpado após uma particular e desagradável noite de sábado, lá ia eu novamente ao altar. Cristãos medievais estavam sempre apavorados até a morte, por ver que poderiam morrer com pecados não confessados e assim iriam para o inferno. Assim, a missa era uma oportunidade de "estar em dia com Deus" e de "encher a banheira" que tinha tido um vazamento por causa do pecado.
Os reformadores, porém, diriam àqueles dentre nós que vivem ansiosos quanto ao fato de estar ou não dentro do favor de Deus, ou se estamos cedendo demais ou obtendo vitória: "Somente Cristo!" É a Sua vida e não a nossa, que conta para a nossa salvação; foi a Sua morte sacrificial e ressurreição vitoriosa que nos assegurou vida eterna. Porque Ele "entregou tudo"; o Seu mérito cobre totalmente o nosso demérito.
E isso nos traz ao próximo "sola" - "Sola Gracia" (Somente a Graça!) Roma acreditava na graça; de fato, a Igreja insistia que, sem a graça, ninguém poderia ser salvo. Só que a graça era o tipo de "um pó mágico" que ajudava a pessoa a viver uma vida melhor - com a ajuda de Deus. Os reformadores, em contrapartida, diziam que a graça não é uma substância que Deus nos dá para vivermos uma vida melhor, mas sim uma atitude em relação a nós, aceitando-nos como justos por causa da santidade de Cristo, e não nossa.
Por isso eles lançaram o quarto "somente" (sola), que sabemos ser "Sola Fide" (somente a fé). Considerando que somos salvos somente pela graça, como obtemos essa graça? Roma argumentava que essa graça era distribuída pela igreja através dos vários métodos que os "altos escalões" haviam inventado. Fé mais amor, ou fé mais boas obras, ou alguma coisa assim, tornou-se a fórmula para a salvação. Os reformadores ao contrário, insistiam que do início ao fim, "salvação é obra do Senhor" (João 2: 9). "O Espírito dá vida; o homem em nada colabora" (João 6: 55). "Não depende da decisão, nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus" (Rom 9: 16). Assim a fé em si mesma é um dom da graça de Deus e não se pode dizer dela que seja "a coisa" que nós fazemos na salvação: Pois nós não somos nascidos da vontade da carne ou da vontade do homem, mas de Deus" ( João 1: 13).
No minuto em que uma pessoa olha para "Cristo somente" para sua salvação, dependendo da Sua vida santa e sacrifício substitutivo na cruz, naquele exato momento ela ou ele é justificado (posto em posição de justiça, declarado justo, santo, perfeito). A própria santidade de Cristo é imputada (creditada) na conta do crente, como se ele ou ela tivessem vivido uma vida perfeita de obediência - mesmo enquanto aquela pessoa continua a cair repetidamente no pecado durante sua vida. O Cristão não é alguém que está olhando no espelho espiritual, medindo a proximidade de Deus pela experiência e progresso na santidade, mas é antes alguém que está "olhando para Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé"( Heb. 12: 2). Resumindo, é o estilo de vida de Cristo, não o nosso, que atinge os requisitos de Deus, e é por Ele que a justiça pode ser transferida para nossa conta, pela fé (olhando somente para Cristo).
Finalmente, os reformadores disseram que tudo isso significa que Deus é quem tem todo o crédito. "Soli Deo Gloria" (Somente a Deus seja a Glória) era a forma que eles colocavam - nosso último "sola", que quer dizer, "A Deus somente seja a Glória" Um evangélico, portanto, era centrado em Deus; alguém que estava convencido de que Deus havia feito tudo e que não restava nada que o homem considerasse seu a não ser seu próprio pecado. Isto não apenas transformou radicalmente a vida devocional dos crentes que o abraçaram, mas toda a estrutura social também.
Numa velha taverna do século XVII em Heidelberg, na Alemanha, lê-se no alto "Soli Deo Gloria!" Johann Sebastian Bach, o famoso compositor, assinou todas as suas composições com aquele slogan da Reforma. Do mesmo modo, um outro compositor, Handel, declarou, "Que privilégio é ser membro da igreja evangélica, saber que meus pecados estão perdoados. Se nós fossemos deixados à mercê de nós mesmos, meu Deus, o que seria de nós?" Grandes e nobres vidas requerem grandes e nobres pensamentos, e a soberania e a graça de Deus são, para o crente, grandes e nobres pensamentos. Os reformadores disseram a Roma o que J.B.Philipps, o tradutor inglês da Bíblia, disse à igreja contemporânea: "O Deus de vocês é muito pequeno".
A Reforma, a qual produziu o termo "evangélico", também recuperou a doutrina bíblica do "sacerdócio universal de todos os santos" e a noção bíblica do chamado e vocação. A igreja tinha dividido os cristãos em primeira classe (aqueles que serviriam no "ministério cristão em tempo integral") e segunda classe (aqueles que estavam empregados em serviços "seculares"). Os reformadores concediam, por direito, que todos os cristãos são sacerdotes e são, por isso, ministros de Deus, independente de estarem varrendo uma sala para a glória de Deus, moldando uma peça de cerâmica, defendendo um cliente na corte, curando um paciente, ordenhando uma vaca, ou conduzindo uma congregação no louvor. Não há o "secular" e o "sagrado" - Deus criou o mundo inteiro e fez a vida neste mundo como algo inseparável de nossa própria humanidade.
Como nós ajustamos as coisas hoje?
A questão, é claro, é se "evangélico" hoje significa o que significou há quinhentos anos.
Em primeiro lugar, muitos dos evangélicos de hoje têm uma visão das Escrituras inferior à que a igreja de Roma tinha no século XVI. Instituições evangélicas de peso duvidam da confiabilidade da Bíblia e de sua infalibilidade - a menos, claro, que se trate daquilo que eles já decidiram que é verdade. Outros acreditam que a Bíblia é inerrante, porém acrescentam novas regras e revelações ao cânon. "A Bíblia é suficiente", nos aconselhariam os reformadores. Os sermões, com muita freqüência, são "pop-inspiracionalistas" discursos superficiais de "Como criar filhos positivos" ou "Como ter uma auto-estima" em detrimento de sérias exposições das Escrituras. De acordo com o Gallup, "Os EUA são um país de iletrados bíblicos", ainda que 60 milhões deles se consideram "evangélicos".
Em segundo lugar, muitos evangélicos modernos também não acreditam que Cristo é suficiente. Às vezes pessoas muito boas e nobres substituem Cristo como nosso único Mediador, assim como o Espírito Santo. Enquanto louvamos o Espírito juntamente com o Pai e o Filho, o Filho tem este papel único de nosso único advogado e Mediador. Não devemos olhar para a obra do Espírito nos nossos corações, mas para a obra de cristo na cruz. Às vezes, nós temos mediadores humanos que não são o Deus-Homem Jesus Cristo. Precisamos de outras coisas pelo meio, como a figura do pastor no "apelo" do altar ao qual me referi anteriormente. Não muito tempo atrás eu vi um tele-evangelista de sucesso tirando o fone do gancho e informando seus telespectadores que "esta é sua conexão com Deus". Uma banda secular, "Depeche Mode", canta sobre "Seu próprio Jesus Pessoal" que pode ser contactado ao se pegar no fone e fazendo sua confissão. Enquanto estivermos neste assunto, também deveríamos mencionar que foi a venda de indulgências de John Tetzel (redução do período no purgatório em troca de valores em dinheiro) que inspirou as "Noventa e Cinco Teses "de Lutero, desencadeando a Reforma. "Quando a moeda bate no cofre", o coro cantava, "uma alma do purgatório é vivificada". Será que isso realmente é diferente da venda da salvação que temos visto na televisão cristã, rádio, e mesmo em muitas igrejas? Dinheiro e salvação têm sido distorcidos para serem uma coisa só no meio de muitos de nós. "Eles vendem salvação a você", canta Ray Stevens, "enquanto eles cantam 'Amazing Grace' ('Graça Maravilhosa')".
Muitos evangélicos hoje crêem que "Somente a Graça" (sola gracia) é algo como livre-arbítrio, uma decisão, uma oração, uma ida até a frente, uma segunda bênção, algo que nós façamos por Deus que nos dará confiança de sermos alvo do Seu favor. Doutrinas como eleição, justificação e regeneração são discutidas quase que nunca, porque elas mostram o quadro de uma humanidade que é incapaz e nem ao menos pode cooperar com Deus em matéria de salvação. Se nós formos salvos é Deus e Deus somente que deverá faze-lo.
E sobre "Somente a Fé" (sola fide)? Muitos evangélicos acham que a fé não é suficiente. Se um indivíduo crê em Cristo e daí sai e o anuncia, será que a fé é suficiente? Alguns insistem que a fé mais a entrega, ou a fé mais a obediência, ou fé mais um sincero desejo de servir ao Senhor servirão como uma fórmula. O fato de que os evangélicos hoje lutam com estas questões indica que nós não ouvimos o "som seguro" de "Somente a Fé" em nossas igrejas. Fé é suficiente porque Cristo é suficiente.
Como se comparariam os evangélicos de hoje com os seus predecessores em matéria de "Somente a Deus seja a Glória"? Auto-estima, glória-própria, centralidade do "eu" parecem dominar a pregação, ensino e a literatura popular do mundo evangélico. Os evangélicos de hoje sabem muito pouco do grande Deus dos reformadores - um Deus que faz tudo conforme o Seu agrado, em relação aos céus e às pessoas sobre a terra e "que faz tudo conforme o conselho da Sua vontade" (Dn. 4; Ef. 1: 11). Os evangélicos hoje, refletindo sua cultura e sociedade mais ampla, estão intimidados por um Deus que é Deus. Porém que outro Deus é digno de confiança? Em poucas palavras, que outro Deus existe? Louvar ao Deus de uma experiência pessoal ou o Deus de preferência pessoal é louvar um ídolo. Os reformadores levaram isso a sério, e aqueles que quiserem ser evangélicos genuínos também devem faze-lo.

Conclusão
Muitas pessoas se perguntam por que o povo da "Reforma" parece bravo. Ninguém quer estar ao redor de pessoas bravas - e eu não gostaria de ser conhecido como uma pessoa "brava". Mas precisamos encarar o fato de que estes são tempos de grande infidelidade para o povo de Deus. A nós foi dada uma fé rica, com Cristo no centro. Porém trocamos nossa rica dieta por um saco de pipocas e estamos mal nutridos. Se os evangélicos terão a mesma saúde espiritual que tiveram em épocas passadas, eles terão que voltar para as verdades que fazem de "evangélicos" "evangélicos". A Bíblia - nosso único fundamento; Cristo - nossa única esperança; Graça - nosso único evangelho; Fé - nosso único instrumento; a Glória de Deus - nosso único alvo; o Sacerdócio de todos os santos - nosso único ministério. Este evangelicalismo original ainda é suficiente para fazer, mesmo de nossas menores vitórias, algo muito grande.

Michael Horton

Nota Sobre o Autor: Dr. Michael Horton é professor no Seminário Teológico Reformado, Orlando-Flórida e editor da revista Modern Reformation.
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Extraído do Jornal "Os Puritanos" Ano V - Número 3

08 novembro 2008

Wittemberg, 31 de Outubro de 1517


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Sola Scriptura

Solus Christus

Sola Gratia

Sola Fide

Soli Deo Gloria

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"Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz mais nada. E então, ...a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada. A Palavra fez tudo."

- Martinho Lutero

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