04 julho 2013

IN POPULUS VERITAS


“Indubitavelmente o povo tem direito ao poder, mas o que o povo quer não é o poder, e sim, antes de tudo, uma ordem estável.” 
- Aleksandr Solzhenitsyn





O triste cenário a que se assiste neste momento em Portugal não augura nada de bom. 
Portugal não tem presidente da República, não tem governo (mesmo antes da presente situação, na minha opinião, já só o tinha formalmente) e também não tem Assembleia da República (há deputados que não sabem o que estão lá a fazer neste momento...). Depois da crise económico-financeira é a crise das instituições. É a crise da própria democracia à portuguesa. Uns desejam a continuidade do status quo, ainda que venham acenar aqui e ali com alterações meramente cosméticas, outros, por seu turno, desejam eleições antecipadas para supostamente "devolver a palavra ao povo".

Ora, alguém já se questionou sobre o que pensa efectivamente o povo?
Como parte integrante dessa realidade a que se convencionou chamar "povo", pela minha parte já deixei de acreditar nesta "democracia". E suspeito que grande parte dos meus concidadãos estarão a meu lado. Bastará analisar os continuamente crescentes valores da abstenção nos derradeiros actos eleitorais e a auto-descredibilização permanente a que a classe política se tem empenhadamente dedicado com esquemas de corrupção (vide BPN, swaps,etc.), falta de integridade e lisura de processos e culminando nos episódios rocambolescos dos últimos dias, para se antever uma participação marginal em eventuais eleições legislativas. Alguém acredita ainda que os actuais partidos integrantes do executivo ou aquele que foi destronado por estes nas últimas eleições depois de ter iniciado o "princípio do fim", façam alguma coisa de diferente do que tem vindo a fazer até aqui? E que esperar dos partidos mais à esquerda que continuam a servir exclusivamente de contra-poder sem se vislumbrar poderem assumir a governação? Será que ainda há alguma margem para acreditar na política à portuguesa?

Temo que a resposta venha a ser, não apenas peremptoriamente negativa como indiciadora de um caos social e da implosão deste país enquanto estado soberano.

Como sugeriu ontem a voz avisada de Bagão Felix, também receio que estejamos à beira de algo bem pior que a contingência já quase inevitável de um segundo resgate financeiro.

O que me vale é que, graças a Deus, sou um homem de fé.


Deus misereatur nostri

©AJV
2013.07.04


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