07 novembro 2012

DESCONFIO



Frequentemente no Facebook assisto e participo em comentários à situação política quer nacional quer internacional.
Sendo grande parte dos meus “amigos facebuquianos” constituída por cristãos, não raras vezes, assiste-se ao “extremar” de posições entre os que se posicionam mais à direita e os que assumem uma posição mais à esquerda. Isto para usar a distinção clássica.
Não é novidade para ninguém que me situo, convictamente, no último destes grupos.
E, certamente, que com argumentos tão ou mais defensáveis que os meus, aqueles que se situam politicamente no “outro lado” pensarão algo semelhante a isto embora de sentido oposto: não consigo entender como se pode ser cristão e ter posições ultra-conservadoras. Dito de forma mais simplista: como é possível ser-se seguidor de Cristo e assumir um posicionamento político à direita no espectro político?

Confesso que tenho alguma - para não dizer muita – dificuldade em “engolir” o que eu acho ser uma contradição com o princípio bíblico básico de “Amar a Deus acima de todas as coisas e o Próximo como a nós mesmos
Como “excomungar” do amor de Deus gays, lésbicas, aborcionistas e outros apoiantes de ideias e/ou comportamentos, quiçá condenáveis, mas cujos detentores são tão amados por Deus como eu sou.

Os comentários que leio expressam ideias eivadas de ódio para com aquelas pessoas. Não para com o homossexualismo, o aborto, a "esquerda" mas, outrossim, um ódio velado para com os seguidores dessas “aberrações”.
Acho que morrerei sem entender esses cristãos que orgulhosamente se auto-apelidam de “fundamentalistas” e no seio dos quais eu cresci sem nunca, todavia, me identificar com essas posições que sempre considerei e continuo a considerar como abjectas e anti-bíblicas. 
Escusado será dizer que o meu posicionamento me valeu, ao longo dos anos, sérios dissabores.
Mas com esse facto vivo eu em perfeita harmonia.

E é por tudo o que disse que também continuo a amá-los apesar das suas ideias.
E da insuportável "superioridade moral" que gostam de ostentar.
Abomino as suas ideias mas amo os meus irmãos. Oro para que o Senhor dê unidade à Sua Igreja. 
Mas também nunca orei ou orarei por unicidade, quer eclesial ou outra qualquer.

O que me entristece é desconfiar que esse patente ódio pelos gays, lésbicas, prostitutas, drogados, aborcionistas e, na sua formulação, outros equivalentes quejandos, provindo de um íntimo e sincero sentimento, se estenderá aos seus irmãos na fé que não pensam, qual rebanho, do mesmo modo.

E aí, parafraseando O Mestre, apetece-me orar: 
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que pensam, dizem ou fazem.


AJV
2012.11.07

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