16 fevereiro 2010


Entrevista a Paul Young: A Vida, se calhar, tem cura

Por Catarina Homem Marques

Paul Young, autor de A Cabana, um bestseller internacional que chegou agora aos tops das livrarias portuguesas, explica o que o levou a escrever a novela: uma história em que o protagonista conversa com Jesus e deus na cabana onde anos antes a sua filha fora brutalmente assassinada


Como é que descreve este livro?
Descrevo-o como um livro de mistério/suspense sob a forma de ‘what-if’ ( e se?). E se existe um Deus que realmente está envolvido nos pormenores da nossa vida? Como é que isso mudaria a forma como vivemos?

Porque decidiu escrevê-lo?
Fui sempre um escritor, mas nunca pensei em publicar. A minha mulher, Kim, encorajou-me a escrever algo como presente para os nossos seis filhos, com idades entre os 16 e os 19 anos. O que ela pediu foi: ‘Poderias escrever algo que reunisse as tuas ideias, porque pensas fora dos esquemas habituais?’. Por isso, para o Natal acabei o primeiro rascunho e fiz 15 cópias para a família e amigos. O livro cumpriu o seu objectivo e voltei aos meus três empregos.

Que mensagem quis passar aos seus filhos?
Quis fazê-lo através de uma história, porque acho que as nossas história dizem muito sobre o que nos vai no coração. Quis abrir o coração aos meus filhos. O livro contém muitas das questões com que me deparei à medida que fui crescendo, questões sobre Deus, a dor e o sofrimento, sobre a nossa grande tristeza e o processo de cura. Quis que os meus filhos se apaixonassem pelo Deus que eu encontrei; Pai, Filho e Espírito Santo que seguem cada ser humano com infindável ternura e amor e que nos convidam para uma relação que nos cura.

Isso ajudou-o a lidar com os fantasmas da sua própria vida e do seu passado?
Já tinha lidado com esses fantasmas muito antes de me sentar a escrever esta história … por isso a história é uma expressão da cura e não tanto parte de um processo de cura. Descobri que o livro tem ajudado muita gente a abrir-se às pessoas que amam e a lidar com a sua própria grande tristeza. Por isso estou muito agradecido.

Há quem lhe chame uma novela cristã. Tinha um objectivo religioso? É uma tentativa de evangelizar?
De maneira nenhuma. Se eu tenho algum tipo de objectivo religioso, é o de expor a religião como uma tentativa de controlar a vida dos outros. É melhor que eu defina ‘religião’. Religião é qualquer tentativa de agradar a Deus, quer através das motivações da vergonha ou do medo. Acredito que todas as religiões sejam, fundamentalmente, o mesmo, uma tentativa de através da acção agradar a Deus; são apenas a s regras e obrigações que diferem. Não acredito que Jesus tenha vindo para criar uma nova religião para competir no mercado das religiões, mas para destruir a ideologia religiosa introduzindo o relacionamento. Quando entramos numa relação, perdemos controle e embarcamos num mistério … pergunte a qualquer homem casado… Também há quem lhe chame heresia.

O que pensa disso?
Ainda acredito que Jesus cura pessoas no Sabbath. Lembremo-nos que ao ter feito isso Jesus enfureceu a elite religiosa. A ideia de que Deus é amoroso, misericordioso e que procura relações pessoais … gera tanta fúria agora como no tempo de Jesus. Sinto-me seguro de que esta história está assente na teologia ortodoxa, apenas usa uma imagética que muitas vezes está fora da ‘caixa’ em que as pessoas colocam Deus.

É um livro demasiado controverso para cristãos e demasiado católico para leigos?
Para alguns isso será certamente verdade, mas para a maioria a história não é sobre cristãos contra leigos, de forma nenhuma. É sobre a vida, dor, perda, Deus .. questões que interessam a qualquer ser humano. A própria categorização de cristãos versus leigos cria um tom religioso, desnecessário na minha opinião. Quando as pessoas me interrogam se sou cristão, pergunto-lhes: o que acha que é um cristão e eu digo-lhe se sou um deles. Não me importo de ser chamado cristão desde que concorde com a definição. E na maioria das vezes não concordo. Sou um seguidor de Jesus, é certo, mas não sou uma pessoa religiosa. A religião nunca irá curar-nos, só o relacionamento o fará. Toda a vida, para mim, é agora sagrada.

Qual é o significado do título e o uso da cabana como cenário?
A cabana é uma metáfora para a alma/coração do ser humano. É a casa que as pessoas nos ajudam a construir à medida que crescemos. Mas muitos de nós, eu incluído, não recebemos grande ajuda, por isso as nossas almas estão arruinadas (como uma cabana), estão repletas dos nossos vícios e é onde escondemos os nossos segredos. É um sítio onde não queremos deixar ninguém entrar.

Qual o interesse de apresentar Deus como uma mulher africana?
Para ultrapassar os estereótipos, as várias ‘caixas’ em que enfiámos Deus. A Imagética, nas Escrituras, nunca foi feita para ‘definir’ Deus, mas mais para nos fazer entender a natureza e carácter de Deus. Deus é descrito como uma rocha, uma fortaleza, uma águia, uma galinha. Isto não quer dizer que Deus tenha penas. Deus é definido como ‘Pai’, não para o definir como do sexo masculino, mas para nos fazer entender a natureza e o carácter deste Deus que nos ama como seus filhos. Mas muitos de nós foram tão magoados pelos seus próprios pais que imaginar Deus como uma mulher (uma mãe) permite-nos querer correr para o seu colo.

Esperava tornar-se um fenómeno? O que acha disso?
Nunca tal me ocorreu. Apenas escrevi para os meus seis filhos, como um presente. Para mim tudo o que acontece é uma dádiva de Deus, uma manifestação da sua graça e misericórdia. Estou cheio de gratidão por fazer parte de algo que está a tocar o coração de milhões de pessoas e desta forma mudar o mundo para melhor. Sinto-me esmagado.


- in Semanário SOL, 16 de Outubro de 2009

12 fevereiro 2010

A CABANA (The Shack) de Wm. Paul Young



"A escuridão esconde a verdadeira dimensão dos medos, das mentiras e dos arrependimentos(...). A verdade é que são mais sombra que realidade, por isso parecem maiores no escuro. Quando a luz brilha nos lugares que eles ocupam dentro de ti, começas a vê-los tal como são realmente."

- in A CABANA, William Paul Young, Porto Editora, 2009


"Esta história deve ser lida como se fosse uma oração - a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A Cabana."

- Michael W.Smith (cantor e compositor de música gospel)

25 janeiro 2010

Uma vida com propósito



É raro que estejamos completamente
inocentes dos nossos sofrimentos.
- Jean Rostand (1894-1977)


A recente tragédia no Haiti trouxe, novamente, à ordem do (meu) dia a “velha” questão da dor e do sofrimento. As interrogações que nos causa e que, aparentemente, não tem sentido numa lógica que perfilha a certeza de um Deus de amor, que, por definição, é o próprio Amor, atento às necessidades das suas criaturas e compassivo e misericordioso para com os erros da humanidade.
Como entender, como aceitar os “escombros” que nos circundam de tantas crianças com fome, órfãs de carinho e reféns de um amanhã sem futuro?
Que Deus é este que permite calamidades humanas indescritíveis? PORQUÊ?

A tendência sobremaneira humana, manifestada desde as tenras idades, de querer encontrar os PORQUÊS para tudo leva-nos, quase em ritmo de inevitabilidade, a interrogarmo-nos neste perspectiva causal de querer saber o que funda ou fundamenta determinada ocorrência ou circunstância. Mas, puro engano ou noutra formulação “santa ignorância”…

O porquê, os porquês estão há tanto tempo entre nós.
Sempre estiveram!
E são sempre os mesmos. E tudo obra nossa.
Certamente que nunca, por nunca, perfilharia o delirium alucinógeno da pseudo-teoria da conspiração “hugo-chaviana” que levou à afirmação, no mínimo, torpe e ridícula da culpa ianque mas refiro-me, outrossim, à “mania” tão humana de culpar Deus de todos os males (raramente, em contraponto, é o responsável pelos bens…) quando nos esquecemos que uma Criação à Sua imagem e semelhança se tornou ABSOLUTAMENTE auto-suficiente e, sobretudo, auto-determinante. Que o pré-conhecimento implícito nas profecias não significa, de todo, providencial determinismo.

E é nesse contexto que chegamos à questão que, a meu ver, se deve colocar perante o sofrimento: PARA QUÊ?

É aí que encontramos um caminho substancialmente diferente.
É verdade que, na perspectiva dos seus atributos, Deus tem poder, é-lhe perfeitamente possível impedir as tragédias. Então, pergunta-se, PORQUE não o faz?
E a resposta surge, mesmo que penetrante, óbvia. Interferiria, então, na história contrariando a auto-determinação e o livre arbítrio que são a sua própria essência e transmitidos, impolutos, à Sua Criação. Estaria, desse modo a negar-se a si mesmo (cfr. 2 Timóteo 2:13).

Já quanto ao argumento teleológico, cremos que Deus prossegue um comportamento, por acção ou omissão, com um propósito bem definido.

No passado Domingo, dia 17, reflectindo neste tema durante o sermão, o Pastor Abel Pego chamava à colação a circunstância da morte do seu pai na envolvência trágica de um violento atropelamento inexplicável, e como esse facto tinha permitido o seu testemunho de fé ali mesmo no crepúsculo da sua vida terrena.

Longe estava eu de imaginar sequer a notícia que já no final desse mesmo dia iria receber. A Perpétua, esposa do Armindo, acabara de falecer na véspera, atropelada numa passadeira para peões. Fiel aluna na Escola Bíblica do Norte em Esmoriz e que nos habituámos a ver às Segundas-feiras como nossa colega ali. Esta notícia chocou-me particularmente. Porquê, Senhor? Pergunta errada. Para quê Senhor?

A resposta começou a ser dada ontem mesmo, na Igreja Evangélica de Leça da Palmeira, onde o casal partilhava a membrasia e onde tive o inigualável privilégio de ouvir o Armindo afirmar publicamente o seu pedido de oração pelo encontro pessoal, a ocorrer durante esta semana, com o responsável pelo acidente que vitimou a sua esposa e mãe dos seus (três) filhos.

Ali irá ter oportunidade de “retaliar” entregando-lhe o seu perdão selado com a oferta de uma Bíblia para que Deus possa operar a bendita obra de, falando ao coração daquele homem, o tornar em Irmão da Perpétua, seu Irmão e, como tal, igualmente nosso Irmão.

Para quê?
Para Tua Honra e Glória, Senhor!

AV

Nota de rodapé: O teu sofrimento, querida mãe, também não é gratuito. As melhoras!

13 janeiro 2010

Ser cristão é ser diferente...

...(sobretudo) quando é "politicamente incorrecto"!

"a liberdade não pode ser absoluta, porque o homem não é Deus, mas imagem de Deus, sua criatura. Para o homem, o caminho a seguir não pode ser fixado pelo que é arbitrário ou apetecível, mas deve, antes, consistir na correspondência à estrutura querida pelo Criador".

- Bento XVI in Público, 2010.01.12

“(…) Defendemos os valores da família e do casamento heterossexuais de acordo com o princípio instituído por Deus na criação. Não concordamos com a alteração desta disposição essencial da ordem que Deus estabeleceu.(…)”

- Pt. Jorge Humberto (Presidente da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa) in
www.portalevangelico.pt

30 dezembro 2009

(Esta também é verdadeira) Feliz 2010...

(clique na imagem para ler)


...para todos os que fazem morada no meu coração (eles sabem quem são).

Num momento particularmente difícil da minha vida peço ao Senhor que o Novo Ano traga o perfume da Sua presença e a Paz da Sua companhia fiel porque basta ir ao Seu encontro, todos nós que estamos cansados e oprimidos, e Ele nos aliviará!!!

11 dezembro 2009

FEIRA DO LIVRO






· LOCAL – Centro Bíblico Esmoriz
· DATAS – 12 de Dezembro (Sábado) – 15:00 a 13 de Dezembro (Domingo) – 18:00
· PROGRAMA - Sábado
- 19:00 – Orquestra de Sinos do Porto
- 20:00 – Conferência – 200 anos da Bíblia em Portugal
Conferencista – Dr. Timóteo Cavaco


06 dezembro 2009

You are who you are for a reason....

by Russell Kelfer

You are who you are for a reason.
You're part of an intricate plan.
You're a precious and perfect unique design,
Called God's special woman or man.

You look like you look for a reason.
Our God made no mistake.
He knit you together within the womb.
You're just what He wanted to make.

The parents you had were the ones He chose,
And no matter how you may feel,
They were custom-designed with God's plan in mind,
And they bear the Master's seal.

No, that trauma you faced was not easy.
And God wept that it hurt you so;
But it was allowed to shape your heart
So that into His likeness you'd grow.

You are who you are for a reason,
You've been formed by the Master's rod.
You are who you are, beloved,
Because there is a God!

03 dezembro 2009

Testemunho do ex-ateu Antony Flew

Simon James Wadsworth



Considerado até 2004, o filósofo ateu mais convicto e influente no mundo, Antony Flew passou a aceitar a existência de Deus. No seu livro Deus Existe: Como o ateu mais famoso do mundo mudou de ideias, Flew explica esta mudança: pesquisas científicas recentes sobre a origem da vida e o ADN revelam a existência de uma "inteligência criadora", diz ele.
Por mais de cinco décadas, o filósofo Inglês foi um dos ateus mais veementes no mundo. Ele escreveu livros e, com audiências numerosas, debateu com conhecidos pensadores crentes, inclusive com o famoso apologista cristão C. S. Lewis.Na Universidade de Nova York, em 2004, ficaram estupefactos quando Flew anunciou que já aceitava a existência de Deus e que ficou particularmente impressionado com o testemunho do Cristianismo. No seu livro, cujo título original é Deus Existe: Como o ateu mais famoso do mundo mudou de ideias (Nova York: Harper One, 2007), Flew não só desenvolve os seus próprios argumentos sobre a existência de Deus, mas argumenta contra as opiniões de importantes cientistas e filósofos sobre a questão de Deus.A sua investigação levou-o a examinar, entre outros, os trabalhos críticos de David Hume sobre o princípio da causalidade e os argumentos de cientistas de renome, como Richard Dawkins, Paul Davies e Stephen Hawking. Outro dos pensamentos sobre Deus que tomou como referência foi o de Albert Einstein, já que, ao contrário do que afirmam ateus como Dawkins, Einstein foi claramente crente."Inteligência criadora" – O que levou Flew a mudar tão radicalmente o seu conceito de Deus? Ele explica que a principal razão decorre das recentes investigações científicas sobre a origem da vida; uma investigação que mostra a existência de uma "inteligência criadora". Conforme expôs no simpósio realizado em 2004, a sua mudança de posição deveu-se "quase inteiramente às investigações sobre o ADN ". " Creio que o ADN tem demonstrado, devido à incrível complexidade dos mecanismos que são necessários para se gerar a vida, que tem de haver uma inteligência superior no funcionamento unitário de elementos tão extraordinariamente diferentes uns dos outros", assegura ele."É a enorme complexidade dos muitos elementos envolvidos nesse processo e a enorme subtileza dos modos que tornam possível que trabalhem juntos. Esta grande complexidade dos mecanismos que se dão na origem da vida é que me levou a acreditar na participação de uma inteligência", acrescenta Flew. Sobre a teoria de Richard Dawkins de que o chamado "gene egoísta" é responsável pela vida humana, Flew qualifica-a de “exercício supremo de mistificação popular". "Os genes, evidentemente, não podem ser egoístas ou altruístas, assim como qualquer outra entidade não consciente não pode competir com outra ou fazer escolhas.""Agora acredito que o universo foi criado por uma inteligência infinita e que as intrincadas leis do universo revelam o que os cientistas têm chamado de a Mente de Deus. Acredito que a vida e a reprodução tiveram origem numa fonte divina ", diz ele.“Três dimensões que apontam para Deus" - "Porque apoio isto, depois de ter defendido o ateísmo por mais de meio século? A resposta simples é que esta é a imagem do mundo, tal como a vejo, que emerge da ciência moderna. A ciência destaca três dimensões da natureza que apontam para Deus." "A primeira é o facto de que a natureza obedece a leis. A segunda, a existência de vida organizada de modo inteligente e dotada de propósito, que se originou a partir da matéria. A terceira é a própria existência da natureza. Mas nesta viagem não me guiei apenas pela ciência. Também me ajudou o estudo renovado dos argumentos filosóficos clássicos", assinala."A minha saída do ateísmo não foi causada por nenhum fenómeno novo, nem por um argumento em particular. De facto, nas últimas duas décadas, toda a estrutura do meu pensamento mudou. Isto foi resultado da minha avaliação contínua das evidências da natureza. Quando finalmente reconheci a existência de Deus não foi por uma mudança de paradigma, porque o meu paradigma continua", conclui ele." “Este é o meu livro" - Após a publicação do livro, choveram críticas dos seus colegas por causa da mudança efectuada, entre elas a de Mark Oppenheimer, num artigo intitulado A Mudança De Um Ateu. Oppenheimer caracteriza Flew como um velho senil que é manipulado e explorado pelos cristãos evangélicos para os seus próprios propósitos. Além disso, acusa-o de ter assinado um livro que nunca escreveu. No entanto, Flew, de 86 anos de idade, responde de forma conclusiva: "O meu nome está no livro e representa exactamente a minha opinião. Não permito a publicação de um livro com o meu nome com o qual não esteja cem por cento de acordo." "Eu precisava de alguém para o escrever porque eu tenho 84 anos”', disse ele.


- in www.ucbportugal.pt

19 novembro 2009

A vida é como experimentar roupa nova (Life is Dress Rehearsal)



As pessoas perguntam-me: Qual é o propósito da vida? E eu respondo: Resumidamente a vida é a preparação para a eternidade. Não fomos feitos para durar para sempre e Deus quer-nos junto a Ele no Céu. Um dia o meu coração vai parar e isso será o fim do meu corpo – mas não o meu fim. Posso viver de 60 a 100 anos na terra mas vou passar trilhões de anos na eternidade. Isto aqui é só o “aquecimento” – a prova da roupa nova. Deus quer que ensaiemos na terra o que faremos para sempre na eternidade.

Fomos feitos por Deus e para Deus e até chegarmos a esta conclusão a vida não fará sentido. A vida é um conjunto de problemas. Ou estás no meio de um, ou a sair de outro ou preparado para enfrentar um novo. A razão para isto é que Deus está mais interessado no teu carácter do que no teu conforto. Deus está mais interessado em tornar a tua vida santa do que em tornar a tua vida feliz. Podemos ser razoavelmente felizes aqui na terra mas esse não é o objectivo da vida. O objectivo é crescer em carácter, crescer à imagem de Cristo.

O último ano foi o melhor da minha vida mas também o mais duro, com a minha mulher Kay doente com cancro. Eu costumava pensar que a vida era montes e vales – atravessamos um tempo difícil, depois subimos ao cume da montanha, uma e outra vez consecutivamente. Já não acredito mais nisso. Mais do que a vida ser montes e vales, creio hoje que é mais como dois carris paralelos de caminho de ferro e temos sempre algo bom e algo mau na nossa vida. Não importa quantas boas coisas tens na tua vida há sempre algo de mau que precisa ser trabalhado. E não importa como as coisas más estão na tua vida pois há sempre coisas boas pelas quais agradecer a Deus. Se te concentras nos teus problemas estás a caminho do egocentrismo que é o meu problema, os meus assuntos, a minha dor.

Uma das formas mais fáceis de nos livrarmos da dor é descentrarmo-nos de nós próprios e focarmos a atenção em Deus e nos outros. Descobrimos rapidamente que apesar das orações de centenas de milhares de pessoas, Deus não iria curar Kay ou aliviar o seu sofrimento. Foi muito difícil para ela mas, no entanto, Deus fortaleceu o seu carácter, deu-lhe um ministério de ajuda aos outros, deu-lhe um testemunho, conduziu-a mais próximo d’Ele e das pessoas. Temos que saber lidar com tanto o bom como o mau da vida.

Na realidade, por vezes aprender a lidar com o bom é mais difícil. Por exemplo, este passado ano, repentinamente, quando o livro (“Uma vida com propósitos”) vendeu 15 milhões de cópias, enriqueceu-me rapidamente. Também me trouxe uma notoriedade com a qual nunca tinha lidado. Não acho que Deus dê dinheiro ou notoriedade com intenção de aumentar o teu ego ou para te facilitar a vida. Então eu comecei a perguntar a Deus o que Ele queria que eu fizesse com este dinheiro, notoriedade e influência. Ele deu-me duas passagens que me ajudaram a decidir o que fazer: 2 Coríntios 9 e Salmo 72. Primeiro, apesar de todo o dinheiro a entrar, não mudamos nem um pouco a nossa vida. Não fizemos grandes aquisições. Em segundo lugar, em meados do ano passado, deixei de receber salário da igreja. Em terceiro lugar, lançamos os fundamentos da criação de uma iniciativa que chamamos O Plano de Paz para estabelecer igrejas, treinar líderes, ajudar os pobres, assistir doentes, e educar a próxima geração. Em quarto lugar, juntei a quantia que a igreja me pagou nos 24 anos desde a sua fundação e devolvi esse montante. Foi libertador ser capaz de servir a Deus gratuitamente.

Precisamos perguntar a nós próprios: Vou viver para os bens materiais? Popularidade? Vou ser guiado por pressões? Culpa? Amargura? Materialismo? Ou vou ser guiado pelos propósitos de Deus (para a minha vida)? Quando me levanto de manhã, sento-me na beira da minha cama e digo: Deus, se não conseguir fazer mais nada hoje, quero conhecer-Te mais e amar-te melhor. Deus não me colocou na terra apenas para cumprir uma lista de afazeres. Ele está mais interessado no que sou do que no que faço. É por isso que somos chamados de seres humanos e não feituras humanas. Momentos felizes. LOUVA DEUS. Momentos difíceis. PROCURA DEUS. Momentos serenos. ADORA DEUS. Momentos dolorosos. CONFIA EM DEUS. Em todos os momentos AGRADECE A DEUS.

(Excerto de uma entrevista de Rick Warren, autor de “Uma vida com propósitos” -Purpose Driven Life- e Pastor da Saddlebck Church na California, a Paul Bradshaw)

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