Jehovah Jireh

Jehovah Jireh

14 Março 2014

COR




Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !

E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.

E vem me chamar de homem de cor ?

(Escrito por uma criança Angolana)

04 Março 2014

Carnaval



O país do PSD não precisa de pessoas
O “país” de que fala Luís Montenegro não é o nosso país. O “país” de que fala Luís Montenegro não é Portugal.

"A vida das pessoas não está melhor, mas a vida do país está muito melhor." A frase, de Luís Montenegro, o risonho líder parlamentar do PSD, merece entrada em qualquer colectânea de citações políticas e mesmo nos manuais de história contemporânea. Não pela profundidade do pensamento, como nos melhores casos, mas pela clareza da ideia que expõe, que no caso vertente resulta de uma mistura de simplicidade e de desfaçatez.
A primeira parte da tirada ("A vida das pessoas não está melhor”) não levanta dúvidas a ninguém e merece a concordância de todos. Há menos emprego que quando este Governo tomou posse, há mais desemprego, há mais desempregados sem apoios sociais, há mais pobreza, há mais sem-abrigo, há mais fome, há mais desespero, há mais jovens sem dinheiro para estudar, há mais portugueses a emigrar por falta de perspectivas, há mais jovens qualificados a emigrar, há mais medo, há menos liberdade, há menos apoios sociais, há menos acesso à saúde, há menos formação, há menos escolas, há menos serviços no interior, há maior conflitualidade, há menos confiança nas pessoas e nas instituições, etc. A lista exaustiva é impossível de tão longa e, por trás de cada estatística, escondem-se milhares de tragédias pessoais, de histórias que não deviam existir num país desenvolvido no século XXI.
O que é de mais difícil compreensão é aquele “a vida do país está muito melhor". É difícil porque é preciso um enorme esforço conceptual para separar este “país” que está “muito melhor” das “pessoas” que “não estão melhor”.
Que país é este de que fala Montenegro? Que entidade é esta que está tão longe e tão separada das pessoas que é possível que uma esteja muito melhor e as outras muito pior?
Existem muitas definições de estado (suponho que é do estado que fala Montenegro) mas praticamente todas elas consideram uma comunidade organizada politicamente, com um governo e um território. Que país é então este que está bem quando as suas pessoas estão mal? Que componente do país é que está melhor? Será que Montenegro fala do território? Não parece ser. Referir-se-á Luís Montenegro ao Governo? Será o Governo a parte do país que está “muito melhor”? É inegável que o executivo ganhou um novo vigor e que conseguiu construir um discurso positivo em torno da ideia de “fim do programa de ajustamento” que, por vácuo que seja, parece ter convencido alguns incautos e paralisado ainda mais o PS. Mas mesmo Luís Montenegro sabe que seria excessivo identificar Governo e país. Este país que está “muito melhor” parece ser algo mais amplo que a comissão liquidatária a que chamamos governo.
Mas então que país é este que está “muito melhor” e que não são as pessoas?
É simples: o “país” de que fala Luís Montenegro não é o nosso país. O “país” de que fala Luís Montenegro não é Portugal. O “país” de que fala Luís Montenegro é, simplesmente, o capital.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que "A vida dos trabalhadores não está melhor, mas a vida do capital está muito melhor". Basta substituir estas poucas palavras para tudo bater certo. A vida dos dirigentes do PSD está muito melhor (basta ver como se congratulavam todos no último congresso). A vida dos dirigentes do CDS está muito melhor. A vida dos banqueiros está muito melhor. A vida dos grandes empresários está muito melhor. A vida dos multimilionários está muito melhor. A vida dos advogados que trabalham para o capital está muito melhor. A vida dos empresários que baixam salários e despedem trabalhadores com o pretexto da crise está muito melhor. A vida dos empresários sem escrúpulos está muito melhor. A vida dos empresários que vivem à conta das PPP está muito melhor. A vida dos corruptos que nunca são condenados está muito melhor. A vida dos que têm as empresas registadas na Holanda e o dinheiro nas ilhas Caimão está muito melhor. A vida dos empresários da saúde que vêem as suas clínicas aumentar a facturação à custa da destruição do Serviço Nacional de Saúde está muito melhor. A vida dos empresários da educação que vêem as suas escolas aumentar a facturação à custa da destruição da escola pública e dos subsídios do estado está muito melhor. E depois, à volta destes, há um segundo anel de empresários de serviços de luxo, de serviços “diferenciados” e “exclusivos”, que servem os primeiros, cuja vida está também muito melhor.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que "A vida do povo não está melhor, mas a vida da oligarquia que manda no país está muito melhor". Foi por isso que se congratulou. Porque ele faz parte dela. Que isso constitua uma traição às promessas do PSD, à social-democracia que voltou a ter direito de menção no último congresso, ao interesse nacional, ao povo que o elegeu é algo que não preocupa Montenegro ou o PSD. Como diz com honestidade o multimilionário Warren Buffett, “há de facto uma luta de classes e a minha classe está a ganhar”. A diferença é que Buffett tem uma certa vergonha. E Montenegro não tem vergonha nenhuma.

04/03/2014 

in "Público"

31 Janeiro 2014

CARTA ABERTA A RAP


Caro comediante benfiquista (ou será benfiquista comediante?) e liberal consuetudinário:

A propósito da aprovação pela AR (leia-se PSD) de uma consulta referendária sobre a co-adopção por casais homossexuais escreve Ricardo Araújo Pereira na revista Visão de 2014.01.30:

“Como pai, preocupo-me sobretudo com a felicidade das minhas filhas, e sei que a orientação sexual não impede ninguém de ter uma vida feliz. Já quanto ao sportinguismo, não tenho a certeza.

(…)talvez surpreenda o leitor que eu seja a favor do referendo à co-adopção por casais do mesmo sexo.(…)

Os cidadãos não devem ficar só pela rama, e descobrir apenas se os pais apreciam manter relações sexuais com elementos do mesmo sexo, ou de sexos diferentes.”


Não estou surpreendido RAP.

Estou apenas algo triste. Porque até acho que tens talento, já me fizeste soltar algumas boas gargalhadas, mas, sincera e infelizmente, RAP, acabas de me fazer suspeitar da bondade da máxima que diz que “nem todos os benfiquistas são estúpidos mas todos os estúpidos são benfiquistas”!

Então e a coerência?
“descobrir apenas se os pais????????????????
E "cadê" as mães? Eu se fosse mãe e, principalmente mãe lésbica, iria sentir-me abaixo de cadela e preferiria que os meus filhos fossem… para aí do… Salgueiros !
Primeiro mostras-te muito liberal e depois descriminas em função do sexo???
Eh pá deves andar a "morfar" uma substância qualquer que te baralha os neurónios…

Sabes, RAP, eu tive um pai e uma mãe (Graças a Deus!) e apesar de o meu pai ser patentemente um psicopata bem pior que o teu tio, que apenas chegou à condição de energúmeno, não o trocava por outra mãe por muito amorosa que fosse. Sabes porquê?
Porque para a criança o amor é importante, básico até, mas não se esgotam aí as necessidades de formação de um ser humano! E falo das necessidades básicas tal como o amor. Os princípios, o carácter, o crescimento saudável a todos os níveis, etc.

Tenho um filho. E até não me importaria que ele fosse benfiquista. Lésbico é que nunca!!!
A mãe dele é benfiquista. E não é menos mãe por isso.
Mas o meu filho optou pelo clube do pai e isso, nada de especial lhe garantiu, a não ser o bom gosto!
Ao invés, o não ter optado pelo clube da mãe garantiu-lhe que nunca será incluído no grupo dos estúpidos. Não seria determinante mas as hipóteses seriam vastas em caso de ter feito essa opção.

Quero crer, todavia, que tu estás entre os benfiquistas que integram o rol das excepções, como alguns amigos meus, aliás, que de estúpido (quase) nada têm, mas toma cuidado (e quem te avisa teu amigo é!) a lei das probabilidades é uma lei absoluta (Graças a Deus que há leis imutáveis!), ao contrário da lei da co-adopção…

Os meus quase 55 anos permitem-me dar-te outro conselho, apesar de suspeitar que o ignorarás, até pela razão mais que provável que acabei de expor:
Dedica-te ao humor porque no que respeita ao amor começas a meter os pés pelas mãos ou, quiçá, pior ainda, outras partes do corpo…

Ah, quase me esquecia de te dizer que, obviamente, eu e o meu filho somos adeptos do melhor clube do mundo!
Tal como o teu amigo Zé Diogo.

Fica bem ou, como certamente preferirás, bem fica.


José de Paiva

2014.01.31


O artigo de opinião de RAP pode ser lido aqui
(
Aviso por causa da moral)




20 Janeiro 2014

Em tudo dai graças


Recebo a dia 20 de cada mês. Hoje tive conhecimento da exacta medida do roubo que este (des)governo se achou no direito de me fazer.
Humanamente ainda estou a tentar "encaixar" o soco no estômago. 
Mas mesmo sem conseguir entender porque "carga de água" tenho que ser eu e os meus colegas a pagar pelos erros dos..."outros", mesmo sem calar a minha voz contra esta e outras atrocidades levadas a cabo por esta casta de delinquentes e porque é a Palavra de Deus a minha única regra de fé e prática, dando graças em tudo, 
Obrigado Senhor!