Inspiração Bíblica Diária / Today's Bible Verse

14 Maio 2012

abraço



olhei para ti
conheci-te
penetrante de afecto
envolvente
de calor que não acaba mais

tomaste-me
apeteceu-me
trincar-te
dissolver-me em ti
percorrer essas margens
de um rio que me afoga
nessa corrente
tão forte
que me leva
onde nunca fui
apertado
numa torrente
de cor e luz
nesse chão
onde me deito
no teu abraço

AJ Varandas
2012.05.14

11 Maio 2012

UM CONTO EGÍPCIO QUE PODERIA SER HEBRAICO

- dedicado à minha (ex?)amiga Elisa Cóias Rubin, que resolveu remover-me da sua lista 
de amigos após a minha publicação no Facebook deste conto no seu formato original.





- Senta-te aqui, meu filho. Quero contar-te uma estória. Disse o pai enquanto carinhosamente sentava o filho na sua perna direita.

Era uma vez…

...um turista que foi à cidade de Jerusalém, com o objectivo de visitar um sábio famoso.
O turista ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? – perguntou o turista.
E o sábio, muito depressa, perguntou também:
- E onde estão os seus?
- Os meus?! – surpreendeu-se o turista – Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também! – concluiu o sábio.  *

- Sabes, meu filho, esse turista poderia ter sido eu. E esse sábio poderia ter sido Jesus Cristo.

Vou ler-te o que o Sábio dos sábios disse um dia sobre este mesmo assunto:

«Não se preocupem em juntar riquezas neste mundo, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões assaltam e roubam." (Mateus 6:19 – A Bíblia para todos).


- Eis a estória que eu gostaria de ter tido o privilégio que o meu pai me tivesse contado um dia.
E que eu gostaria que viesses também a recontar a teus filhos.


Sabes, filho, como eu gostaria de ter sido aquele turista!




Reflexão:


Aprender é bom.
Aprender de um sábio é ainda melhor e um princípio de humildade. 
Logo, de sabedoria…


A.J. Varandas
2012.05.11



09 Maio 2012

UMA CASA É DEVOLVIDA AO BANCO POR HORA



Publicado em 18 de Abril passado, podia ler-se no site da TVI a notícia de que em cada hora que passa uma casa é devolvida ao banco por incapacidade financeira das famílias devedoras.
Esta é a verdadeira imagem do país e do empobrecimento “galopante” a que se assiste.
Não pretendo prender-me agora sobre as causas deste fenómeno ou sobre os verdadeiros culpados de uma crise bem patente e que a (quase) todos toca e de forma bem efectiva. Desabafando, para que serviria?
Como funcionário público perdi mais de 20% do meu rendimento do trabalho (única proveniência do meu rendimento global, diga-se). Os compromissos financeiros, entretanto, assumidos mantêm-se inalteráveis. A acompanhar a significativa redução da receita, soma-se o aumento generalizado dos bens e serviços essenciais, o que faz com que a descida “real” do rendimento disponível seja em muito superior àquele percentual.
Mas, não pretendo com isto usar este espaço como “muro das lamentações”. Apesar da minha situação financeira poder ser considerada grave, ainda e Graças a Deus, não é desesperante como para as tais famílias (uma por hora!) que se vêem forçadas a entregar a casa onde habitam e que, certamente, constituiu um pequeno sonho de poderem vir a poder transmitir por herança aos seus filhos um bem tangível. Eu, com maior ou menor dificuldade, ainda tenho conseguido manter em dia os pagamentos das dívidas que contraí. Com redução significativa de custos nas despesas correntes, afectando áreas importantes como o saber, a cultura e o lazer, sem a perspectiva de poder passar umas férias condignas mas, apesar de tudo, conseguindo minimizar os “prejuízos”.


A intenção desta reflexão é, contudo, a de fazer-nos parar um pouco e pensar sobre as palavras da Bíblia:

Se alguém possui bens neste mundo e, vendo o irmão em necessidade lhe fechar o seu coração, como permanecerá nele o amor de Deus?
Meus filhos, não amemos com palavras e discursos, mas com acções e com verdade.


(I João 3: 17,18 – A Bíblia para todos)

Deus é Amor. É o mesmo João que o afirma um pouco mais adiante na mesma epístola. (4:8)
A nossa responsabilidade é reflectir o coração de Deus nas nossas vidas.
A palavra “próximo” na Bíblia tem também um significado literal e geográfico. Não precisamos tornar-nos missionários em África ou na Ásia para podermos cumprir a nossa missão.
E quantas vezes o nosso discurso é “politicamente correcto” mas quando chega a “hora da verdade” e surge a oportunidade de por em prática o que defendemos de um ponto de vista teórico e doutrinal…então há sempre um “mas” ou um “se” e quedamo-nos pela beleza do discurso, pelo empolgante das nossas convicções, pela magnificência vã das nossas posições.

Fazemos de nós próprios…mentirosos.


Abel José Varandas
2012.05.09



01 Maio 2012

DIA DO TRABALHADOR



ACORDAI


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

- Fernando Lopes Graça







06 Abril 2012

A Crucificação | Uma Perspectiva Médica




A NÃO-NOTÍCIA


Olhando as primeiras páginas dos jornais desta manhã, há uma não-notícia que se sobrepõe às medidas fortemente restritivas tomadas pelo governo de forma desonestamente secretista, quer sobre os cortes (temporários?) dos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos e pensionistas quer na proibição não anunciada nem explicada da proibição (temporária?) das antecipações das reformas. Dizia eu que a tal não-notícia se sobrepõe a todas estas recentes (más!) notícias. No campo das (relativas) boas notícias – bem cada vez mais escasso, diga-se – só a da passagem heróica do “meu” Sporting às meias-finais da Liga Europa.
Mas então qual é essa não notícia que quero destacar?
Há pouco mais de 2000 anos num local ermo da Palestina, o Império Romano procedia a uma execução. Os condenados eram três. Dois deles eram reconhecidamente marginais, e pagavam com a vida o preço de uma carreira dedicada ao crime. O terceiro e destacado condenado era um judeu, de nascimento humilde, de vida impoluta, exemplar, sem qualquer mácula, não havendo uma única testemunha que pudesse afirmar ser culpado de qualquer crime. Pelo contrário, não faltariam testemunhas do seu altruísmo, da sua dedicação aos outros, de se entregar a si próprio sem nunca requerer ou sugerir qualquer compensação. Por outro lado, não faltaram também poderes instalados que o acusaram de abanar os alicerces de um sistema que não admitia outsiders, muito menos quando estes ousavam desafiar o status quo como só Ele poderia fazer e fez! E por isso mesmo o condenaram.
Pagou com a vida a sua extraordinária ousadia, diriam hoje alguns comentadores políticos. Afrontar o sistema judaico de fortíssima componente tradicional, ainda por cima num enquadramento político adverso de ocupação imperial era suicidário sob qualquer ponto de vista social ou político-estratégico.
Acontece, porém, que a Sua Missão não era política, geo-estratégica ou meramente humanista ou pacifista. A Sua Missão era demonstrar à Humanidade o Grandioso Amor de Deus. A Sua verdadeira Missão era a redenção dessa mesma Humanidade. E nesse sentido era necessário que as profecias se cumprissem e que fosse até à cruz e que ali desse a sua vida de Homem para que o Homem percebesse que Deus tinha vindo até si para ressuscitar a esperança. A esperança do renascer, da verdadeira vida, da vida tão abundante que se fez eterna.
Ninguém afinal lhe tirou essa vida. Foi Ele que decidiu oferecê-la. Já tinha dado tudo o resto. Só faltava carregar sobre si a condenação dos outros. A minha também. Sobretudo.
O seu Nome?
Cidadão judeu, conhecido publicamente como Jesus de Nazaré e chamado O Cristo.
Pouco mais de dois mil anos depois hoje é feriado porque Ele morreu.
E no Domingo volta a ser feriado porque Ele ressuscitou.
Pouco mais de dois mil anos depois continua a não merecer a mais pequena referência nas primeiras páginas dos nossos jornais.
Para milhões em todo o mundo Ele é a verdadeira BOA NOTÍCIA.
Para mim, particularmente, é a ÚNICA!

Abel José Varandas
Sexta-Feira Santa, 2012.04.06

08 Março 2012


O A.O. É SIMPLEX



O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.
Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.
Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?
Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.
A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” – pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
Maria Clara Assunção
in  A BIBLIOTECA DE JACINTO


"God Keeps every promise he makes. He is like a shield for all who seek His protection" - Proverbs 30:5